O Movimento de Libertação dos Sem Terra-MLST, um dos movimentos sociais e populares dedicados à reforma agrária, no Brasil, realizou uma manifestação no Congresso Nacional, ontem, dia 6 de junho. A manifestação, como explicaram seus dirigentes, se destinava a chamar a atenção do parlamento e da sociedade brasileira para as dificuldades da luta pela reforma agrária. Em particular, denunciavam-se os contingenciamentos das verbas e os impasses criados pela lei que, impede, nas terras ocupadas, a vistoria do INCRA, necessária à desapropriação. Trata-se de uma lei criada pelo FHC que o governo Lula manteve, como manteve, e em certos casos aprofundou, como um herdeiro feliz, tantas outras coisas da “herança maldita”.
A manifestação do MLST foi recebida pela guarda de segurança da Câmara dos Deputados, ao invés de ser recebida pelo presidente da Câmara, cuja formação ideológica foi esquecida em troca da cadeira que Inocêncio de Oliveira ocupou com mais dignidade.
A recepção violenta da guarda da Câmara, estilo que vem aprimorando desde as manifestações dos servidores públicos contra a reforma da previdência, provocou um quebra-quebra de proporções elevadas, com perdas materiais e inúmeros feridos. Naquele momento, a guarda da Câmara enfrentava não os servidores públicos, muitos já idosos, mas tinha pela frente aproximadamente 500 manifestantes, a maioria jovens, acostumados à dureza dos jagunços e da própria sobrevivência no campo.
Mas toda a operação já havia sido mapeada, dias antes, como se pode comprovar pelos filmes exibidos na TV, quando os ônibus que transportavam os manifestantes foram filmados em sua chegada, como se fossem visitas esperadas.
Só assim também se explica como 500 manifestantes foram presos. O cenário estava montado. Aldo Rebelo, o presidente da Câmara, ordenou a prisão.
Presos, dentre eles crianças, foram todos levados para um ginásio onde também se reproduziram as cenas típicas das ditaduras, como se viram os estádios de futebol chilenos, onde milhares de presos de Pinochet eram mantidos em regime de campo de concentração.
Aquilo que vimos ontem pelas TVs é também um campo de concentração.
Não satisfeitos com prender centenas de pessoas, que certamente não eram os agentes responsáveis pelo conflito, prenderam as lideranças do movimento e os acusaram de tentativa de homicídio e outros crimes, na busca de criar embaraços jurídicos e intimidar as organizações populares.
Estamos, portanto, vivendo um momento em que os democratas brasileiros não podem se deixar levar pelas aparências construídas pela mídia ou se omitir diante dos que precisam de solidariedade. O caso do conflito recente em Brasília é mais um caso determinado pelos interesses políticos, preconceitos ideológicos e aversão ao povo, traços que marcam as instituições brasileiras como a Câmara dos Deputados, local em que se proíbe a entrada de sem-terra e se impede a saída dos sem-ética.
Nós, do Reage Socialista, reiteramos todo apoio aos companheiros do MLST contra a campanha manipulatória que se faz pela imprensa, com a ajuda de parlamentares que deveriam lembrar-se de situações semelhantes montadas contra o MST, os servidores públicos, os estudantes e tantos outros que ousaram desafiar o poder do capital, do latifúndio e do agro-negócio.
Junho de 2006 -- Movimento Reage Socialista
Esquerda é uma publicação do Reage Socialista.
Sobre o MLST
Postado por
Guilherme
às
12:21
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