Esquerda é uma publicação do Reage Socialista.

Luta pela Legalização do Aborto

Lançamento do Comitê de Luta pela Legalização do Aborto,
dia 28 de setembro, sexta-feira, 11 horas


NO LARGO DA CARIOCA ATIVIDADE DE RUA
28 de setembro é Dia Latino-Americano e Caribenho de Luta pela Legalização do Aborto.
Atividades como estas acontecerão em outros estados brasileiros, assim como em outras regiões da América Latina e Caribe. Sua presença é importante, para juntarmos forças nesta luta em defesa da vida das mulheres, de sua autonomia e de seus direitos sexuais e reprodutivos.

PARTICIPE!
ABORTO:
QUE AS MULHERES DECIDAM
QUE O ESTADO GARANTA
QUE A SOCIEDADE RESPEITE
PARA QUE NENHUMA MULHER MORRA MAIS POR CAUSA DE ABORTO INSEGURO
GT de Mulheres e GLBT da Conlutas-RJ
MANIFESTO COMITÊ DE LUTA PELA LEGALIZAÇÃO DO ABORTO RJ LEGALIZAR O ABORTO EM DEFESA DA VIDA!!! Seja qual for a sua situação, uma mulher tem de ter o direito de decidir sobre seu próprio corpo. Se ela decide ter o filho, tem de ter acesso às condições básicas para ser mãe. Se ela decide abortar, tem de ter acesso a um hospital público, com toda a assistência necessária. Na luta pela VIDA da mulher brasileira defendemos a descriminalização e legalização do aborto com atendimento gratuito na rede publica de saúde. No Brasil, 98% dos casos de morbidade/mortalidade materna, poderiam ser evitadas se houvesse acesso aos serviços de saúde no período da gestação e atendimento na hora do parto. Em 2002 foram registrados 53,77 óbitos maternos por 100 mil nascidos vivos, devido a complicações na gestação, no parto ou no puerpério (período de 42 dias após o parto). Não defendemos o aborto como método de contracepção, e sim como último recurso diante de uma situação insustentável. Defendemos que mulheres que queiram ou necessitem interromper uma gravidez, possam fazê-lo com segurança. E defendemos que o SUS ofereça este serviço. Entre 2000 e 2004, 697 mulheres morreram no Brasil, em conseqüência de gravidez que termina em aborto. Destas, 323 eram jovens entre 20 e 29 anos, e a maioria deste conjunto é formada por mulheres negras, o que deixa claro quem são as principais condenadas à morte por aborto no nosso país: as mulheres pobres, jovens e negras (dados do Ipas e Ministério da Saúde). Em 2004 foram realizados 1.600 abortos legais, previstos no artigo 128 do Código Penal Brasileiro, em 51 serviços especializados do SUS, ao custo de R$ 232.280,5. No mesmo ano ocorreram no SUS 243.998 internações motivadas por curetagens pós-aborto, decorrentes de abortamentos espontâneos e inseguros, orçadas em R$ 35.040.978,90. No SUS são realizadas anualmente 240 mil curetagens pós-aborto. No período de 1996 a 2000 houve um acréscimo de 1,8% no percentual de partos na faixa etária de 10 a 14 anos, passando-se de 31.911 partos, em 1996, para 32.489 registrados em 2000 (DATASUS/MS) NÃO PODEMOS FECHAR OS OLHOS PARA ESTA REALIDADE SOCIAL!
O Brasil é um Estado laico, e sendo assim tem o dever de lidar com este problema não só como uma questão de saúde pública. A solução para a questão do aborto não está na criminalização. O Código Penal brasileiro prevê a detenção de um a três anos em casos de aborto provocado pela gestante ou com o seu consentimento (art. 124); e reclusão de três a dez anos se o aborto é provocado por terceiro sem a autorização da mulher (art. 125). No artigo 126 - provocar o aborto sem o consentimento da gestante - a reclusão é de um a quatro anos, se a mulher for maior de 14 anos, abaixo dessa idade, ou se a gestante é "alienada ou débil mental", ou se o consentimento é obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência a reclusão é de 3 a 10 anos.. A sociedade brasileira precisa conhecer as razões que estão por detrás dessas decisões, para superar a postura hipócrita que hoje tem, diante desta realidade. Antes de assumir qualquer posição é preciso saber como vive a mulher no Brasil. Hoje, elas representam 51,2% da população brasileira, sendo 46% delas, negras. São 42% dos trabalhadores no mercado formal e 57%, no informal, e taxa de desemprego é 58% maior, se comparada com a dos homens. Entre as mulheres negras, o desemprego é 20% maior que entre as mulheres brancas. 20,8% das famílias brasileiras são chefiadas unicamente por mulheres, que não têm acesso a creches (que, segundo dados do IBGE de 2003, só atendem 23,38% das crianças de 0 a 6 anos) Concepções religiosas sobre o mundo e sobre a vida não podem se sobrepor a um problema público e político a ser enfrentado e solucionado pelo Estado. Mesmo na Itália onde se situa o Vaticano, sede da Igreja Católica, a legalização do aborto já foi conquistada pelo conjunto das mulheres italianas. Ao aprovar a legalização do aborto enquanto política pública o Estado necessita ampliar serviço de prevenção assim como de educação sexual. É necessário mais investimento em Saúde e Educação, para garantir melhores condições de vida para as mulheres brasileiras. É importante a distribuição gratuita de métodos contraceptivos, com informação e atendimento continuado nos serviços de saúde, assim como é importante desenvolver programas adequados de educação sexual nas escolas, para contribui na diminuição dos índices de abortamento. Os países em que o aborto foi legalizado, onde o nível educacional é alto e a oferta de métodos contraceptivos extensa, possuem as menores taxas médias de abortamento por ano. Este é o caso da Bélgica, Alemanha, Holanda e França, onde esta taxa é de menos de 10 por 1000 mulheres. Na América Latina, região com as leis mais restritivas, menor nível educacional e onde é pior a qualidade dos serviços de saúde, esta taxa é de 37 por 1000. Lutamos para que, junto com a legalização do aborto, seja cumprida, em todo o território nacional a Lei de Planejamento Familiar, sancionada em 1996. Deste modo as mulheres terão condições inclusive de garantir uma maternidade segura, com qualidade de pré-natal, parto e atendimento no puerpério. Comitê de Luta pela Legalização do Aborto – RJ28 de Setembro de 2007

Evento: “Proteção Social, Violência e Saúde”

Evento: “Proteção Social, Violência e Saúde”
Local: UFF- Escola de Serviço Social- Bloco E- Sala 4051º
dia: 01/10
Palestra I -(14h30 às 17:30)" Informação e Saúde"
Palestra II -(18:00 às 21:00)"Violência contra Criança e Adolescente – práticas de proteção soial"
2º dia: 02/10
Palestra I - ( 14:00 às 17:30)" Questão étnica e racial – a importância do registro”
Palestra II - (18:00 às 21:00)"A humanização na saúde - uma nova cultura de atendimento"
3º dia: 03/10
Palestra I- ( 14:00 às 17:30)" Orientação sexual – a importância do registro"
Palestra II - (18:00 às 21:00)" A invisibilidade em dados: violência contra mulheres"
INSCRIÇÕES: pelo e-mail nphpscrd@yahoo. com.br Favor enviar nome completo, telefone e instituição que atua ou estuda.Serão conferidos certificados ao fim do Evento para os que obtiverem 75% de freqüência

Flickr agora em português. Você clica, todo mundo vê. Saiba mais.

MST ocupa Incra


MST ocupa Incra e convoca a sociedade para ato pela Reforma Agrária. O MST convoca a sociedade para o ato pela Reforma Agrária, naquinta-feira dia 27/09 às 10h da manhã.
O ato será realizado na sededa superintendência estadual do Instituto Nacional de Colonização eReforma Agrária (Incra), na capital do Rio de Janeiro, onde cerca de 300 famílias estão acampadas, para cobrar dos Governos Federal eEstadual o assentamento de 1.200 famílias acampadas no estado einvestimentos públicos nos assentamentos.

II SEMINÁRIO MARXISMO E HISTÓRIA


II SEMINÁRIO MARXISMO E HISTÓRIA: DATAS REDONDAS EM TEMPOS QUADRADOS

Em 2007 fazem cento e quarenta anos da publicação de O capital de Karl Marx, cem anos do nascimento de Caio Prado Júnior, noventa anos da Revolução Russa, setenta anos da morte de Antonio Gramsci, setenta anos do golpe do Estado Novo, quarenta da morte de Ernesto Che Guevara. Com o objetivo de contribuir para uma reflexão sobre estes temas, o Grupo de Estudos e Trabalho em Teoria da História Marx (GETTHI-Marx) promoverá o seu II Seminário: Marxismo e História, “Datas redondas em tempos quadrados”, nos dias 25, 26 e 27 de setembro, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, no Largo de São Francisco.

Os debates em torno destas “datas redondas” – mesmo que as negativas, como do Estado Novo – dizem algo sobre a atualidade do marxismo na compreensão do presente, captado em sua processualidade. Diz também sobre a pertinência desta teoria social no entendimento do passado, oferecendo a melhor maneira de formular um projeto de emancipação para o futuro. Para debater tão distintos temas, estarão presentes importantes especialistas que, a luz do marxismo, abordarão problemáticas de relevância histórica. Esta é uma excelente contribuição à divulgação do conhecimento crítico produzido nas universidades. Ao mesmo tempo, não se pode deixar de alertar para a necessidade de dar conseqüência ao postulado marxiano de fazer mais do que interpretar o mundo de diferentes formas, cabendo urgentemente transformá-lo!



Programação:

Terça Feira 25/09
18:00 h da noite: 90 anos da Revolução Russa.
Felipe Demier (mestrando em História pela UFF) e Hiran Roedell (Historiador)

Quarta Feira 26/09
10:00h : 70 anos do Golpe do Estado Novo e seu significado para o Estado e
as classes sociais do Brasil. Renato Lemos (História UFRJ) e Anita Prestes ( História UFRJ)

18:00: Caio Prado Jr e sua contribuição ao marxismo no Brasil e 40 anos da
morte de Che Guevara: A luta pelo Socialismo na América Latina.
Carlos Carlos Alberto Barão (História UFRJ), Pedro e Sá (Historiador/
Coordenador do GETTHI-MARX) e Luiz Edmundo Tavares (História UERJ).

Quinta Feira 27/09
10:00 h: 70 anos da morte de Gramsci e seu legado político-intelectual.
Marcelo Badaró (História UFF) e Lucia Neves (História UFF/Fiocruz)

18:00h: Os 140 anos d'O Capital e sua atualidade diante aos desafios do
mundo atual. José Paulo Netto (Serviço Social/ UFRJ) e Mário Duayer (Economia-UFF)

LOCAL : INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS SOCIAIS - IFCS/UFRJ LARGO DE SÃO
FRANCISCO S/Nº

INSCRIÇÕES: smh_inscricoes@yahoo.com.br

PRESIDENTE DA CÂMARA IMITA O SENADO

PRESIDENTE DA CÂMARA IMITA O SENADO E PROÍBE PARTICIPAÇÃO POPULAR NAS SESSÕES

Após a manifestação dos trabalhadores de transporte alternativo realizada na última quarta-feira (19/09), o presidente da Câmara Municipal de Niterói, José Vicente, decidiu realizar a sessão de portas fechadas. José Vicente solicitou à segurança da casa que retirasse os manifestantes para que a sessão fosse realizada. O presidente da Câmara, entretanto, deixou permanecerem nas galerias cidadãos que não faziam parte da manifestação das vans. Esse fato evidenciou o cerceamento ao movimento social que ocupava as galerias, reivindicando direitos e a legalização de seu meio de trabalho.

Diante da decisão do presidente da Câmara, o vereador Paulo Eduardo Gomes retirou-se do plenário, colocando-se contra a decisão de José Vicente. Paulo Eduardo saiu do plenário acompanhado dos vereadores Renatinho, Gallo e Leonardo Giordano.

Na quinta-feira, a Câmara continuou com portões fechados à população, havendo nova manifestação dos trabalhadores do transporte alternativo. Ao início da sessão, Paulo Eduardo discursou e enfatizou que ideologicamente estava impedido de participar de uma sessão fechada aos cidadãos de Niterói. Gallo e Renatinho falaram em seguida e também se retiraram do plenário. Em seguida o presidente da Câmara encerrou. Entretanto, o impasse continua.

Vale ressaltar que, segundo o Artigo 24º da Lei Orgânica Municipal, as sessões da Câmara serão sempre públicas. Demonstra-se assim, que o presidente, José Vicente, ou desconhece a Lei Orgânica, ou a descumpre com autoritarismo.

DIMINUIÇÃO DOS LIMITES DO PARQUE

DIMINUIÇÃO DOS LIMITES DO PARQUE É COMEMORADA EM EVENTO DO DIA DA ÁRVORE


A comemoração do Dia da Árvore será marcada por um evento oficial do IEF e da Secretaria Estadual do Ambiente em que ocorrerá um ato onde serão simbolicamente demarcados os novos limites do Parque Estadual da Serra da Tiririca.

Este evento, que será realizado no próximo sábado, dia 22/09/07, estará na verdade “comemorando” a diminuição dos limites do Parque e consequentemente a perda de mais de uma centena de hectares de áreas de Mata Atlântica regenerada e em regeneração que foram excluídas dos antigos limites definidos em 1993.

A especulação imobiliária e seus respectivos parceiros, que muitas vezes atuam como ambientalistas para garantir o lucro de seus patrões, estarão com certeza presentes ao evento comemorando mais uma vitória deste setor na cidade de Niterói. As derrotas acumuladas na luta ambiental em Niterói são incontáveis, o capital imobiliário avança de maneira cada vez mais feroz sobre a cidade.

Na Serra da Tiririca, no entorno da Lagoa de Itaipu, na Darcy Ribeiro, no Morro do Morcego, na Estrada Fróes, na Praça Getúlio Vargas e em mais uma dezena de lugares da cidade de Niterói, os movimentos sociais e populares permanecerão atentos para não permitir mais nenhuma derrota para o meio ambiente.

É neste sentido que conclamamos a todos os movimentos, militantes atuantes na cidade e cidadãos que sigam atuando em defesa das áreas de floresta que ficaram de fora dos atuais limites do PEST. É necessário denunciar e buscar junto ao Governo do Estado, Município e Ministério Público, formas de manter preservados estes locais de grande importância para o nosso Estado, junto às comunidades tradicionais.

O evento oficial será realizado no dia 22/09/07 às 09:00, na Rua Paulo Freire com Estrada do Engenho do Mato, no Córrego dos Colibris, alguns movimentos que lutam em defesa da Serra da Tiririca prometem estar no local protestando com faixas e panfletos, exigindo a proteção de toda área excluída dos atuais limites do Parque.

À Esquerda!

À Esquerda!

Aos marinheiros russos

Em frente, marche! Basta de falar!
O tempo dos oradores já passou.
Hoje tem a palavra
o Camarada Mauser!
Não há outra lei senão a da natureza.
Somente Adão e Eva estão com a verdade.
Abaixo as leis, abaixo as cadeias!

Fustiguemos a carroça da história.
À esquerda, à esquerda, à esquerda!
Em frente, à conquista
Dos oceanos!
Tendes canhões em vossos navios de aço.
Já esquecestes como os fazer falar?
Que a coroa abra uma goela
quadrangular,
que o leão britânico ruja
que importa?
A comuna está em marcha
e manterá a vitória!
À esquerda, à esquerda, à esquerda!

Aqui é a sombra e a morte, mas lá longe
do outro lado das montanhas
O sol se levantou sobre um mundo novo.
Lá além das planícies,
o solo estremece sob os passos inumeráveis
de homens impávidos e livres.
Camaradas, nós somos um rochedo de granito.
Os bandidos da Entente se arremessam contra ele.
Mas nada abaterá a Rússia Soviética.
À esquerda, à esquerda, à esquerda!
Eles não puderam durar os olhos atilados da águia
Que olha e compreende as lições do passado.
Avante, pois, meu povo, e já que o pegaste
estrangula teu carrasco!
A trombeta dos bravos já soou o alarme.
Nossos estandartes aos milhares avermelham o céu.
Só a rota dos traidores é que conduz à direita.
À esquerda, à esquerda, à esquerda!

(MAIAKÓVSKI - 1918)

tradução: E. Carrera Guerra

MORRO DO CÉU


AUDIÊNCIA PÚBLICA DISCUTE LIXÃO E MOVIMENTOS REPUDIAM A PROPOSTA DO GOVERNO.

A Audiência Pública realizada no dia 13/09 na Câmara Municipal de Niterói sobre a implantação de um Aterro Sanitário em Niterói contou com a intensa participação dos moradores do bairro do Caramujo. Militantes de diversos movimentos da cidade, ambientalistas e, principalmente, componentes do Fórum Municipal do Lixo e Cidadania estiveram presentes e, assim como os moradores das proximidades do Morro do Céu, se colocaram contra a construção do Aterro Sanitário na área proposta pela CLIN. A proposta da Companhia de Limpeza, que nada mais é do que seguir levando todo o lixo da cidade para o Morro do Céu, consiste na construção, ao lado do atual Lixão, de um Aterro Sanitário. A CLIN traria, assim, mais constrangimento para a comunidade local, que há 24 anos vive próxima ao lixo, e, como se isso não bastasse, diversas famílias correm o risco de terem que deixar suas moradias.

Paulo Eduardo Gomes esteve presente à Audiência e criticou a inércia do Município que, desde 2004, já tinha conhecimento de que o lixão do Morro do Céu estava saturado, e, ainda assim, não tomou nenhuma iniciativa para resolver o problema. O Município então, diante da pressão da sociedade, que não aceita mais a expansão do lixão, e do Ministério Público, que cobra o cumprimento do TAC - Termo de Ajustamento de Conduta -, pelo encerramento das atividades do mesmo, age de maneira açodada, tentando dar uma solução paliativa ao problema. Paulo Eduardo comparou a iniciativa do Município à do Governo Federal, que sabendo do caráter provisório da CPMF, finge ter sido surpreendido pela necessidade do fim da contribuição.

Diversas entidades e movimentos fizeram intervenções que apontam para uma solução definitiva quanto ao problema do lixo em Niterói e distribuíram um manifesto assinado por mais de 40 entidades onde propõem:

- A desativação imediata do Aterro do Morro do Céu;
- Cumprimento das medidas compromissadas no TAC;
- Contra a desapropriação dos lotes e casas para a expansão do Aterro;
- Políticas públicas de apoio às organizações de catadores;
- Implantação de aterro sanitário consorciado entre Niterói e Municípios vizinhos;
- Ampliação da coleta seletiva;
- Implantação de Ecopólos (centros de reciclagem)

REUNI: espetáculo do crescimento ou do contingenciamento?


No último dia 24 de abril, o governo federal instituiu por decreto o chamado Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, mais conhecido como REUNI, no bojo do PDE. Uma leitura superficial do texto do decreto presidencial poderia levar a crer que se trata de uma medida progressista, uma vez que o programa aponta como diretrizes “a ampliação do acesso e permanência na educação superior”, a criação de cursos noturnos e a ampliação das políticas de assistência estudantil. Como nem tudo o que parece é, uma leitura mais atenta desfaz rapidamente essa falsa impressão.
Vejamos: na verdade, o REUNI parte de uma falsa premissa, expressa logo no seu primeiro artigo. Na medida em que fala no “melhor aproveitamento da estrutura física e de recursos humanos existentes nas universidades federais”, o decreto parte do pressuposto_ errôneo, diga-se de passagem_ de que os problemas hoje enfrentados pelas universidades públicas são decorrentes da ineficiência na gestão dos recursos de que estas dispõem. Na verdade, as universidades públicas vêm sofrendo há mais de uma década com o sucateamento decorrente dos sucessivos cortes de verba na educação. Logo, não se trata de ineficiência na gestão dos recursos, mas sim de insuficiência crônica destes.
O decreto-Lei apresenta como metas a serem atingidas pelas universidades no prazo de cinco anos a quase duplicação do número de estudantes matriculados na graduação e a elevação da taxa de conclusão média dos cursos para 90% (provavelmente através da implementação de uma variante da odiada aprovação automática). Os recursos adicionais a serem disponibilizados para a execução desse verdadeiro “espetáculo do crescimento” estão limitados à mísera quantia de 20% do atual orçamento das universidades. Pior: segundo o texto do próprio decreto, “o atendimento dos planos é condicionado à capacidade orçamentária e operacional do Ministério da Educação”. Em outras palavras, o que se pretende é praticamente dobrar o número de vagas existentes nas universidades com recursos que podem chegar a 20% de um orçamento já bastante deficitário (esses recursos podem nem chegar, dependendo da capacidade orçamentária do MEC).
Como se não bastasse, ao colocar como uma de suas diretrizes a “diversificação das modalidades de graduação, preferencialmente não voltadas à profissionalização precoce e especializada”, o decreto abre uma margem muito grande para a implementação do Projeto Universidade Nova, que tem no reitor da UFBA seu grande garoto-propaganda. O principal cerne desse projeto é a implementação de bacharelados interdisciplinares em áreas genéricas na graduação, como “Humanidades” ou “Tecnologias“. Ao final de dois ou três anos, o estudante ganha um diploma nesse curso genérico e, caso deseje continuar seus estudos para ter uma formação profissional de verdade, terá de passar por uma espécie de segundo vestibular, agora já dentro da universidade. Na prática, o que se pretende é transformar a universidade pública num grande escolão de formação de mão-de-obra barata para um mercado de trabalho cada vez mais desregulamentado. Tudo bem de acordo com o papel de produtor de gêneros agrícolas e commodities que o Brasil desempenha hoje na Divisão Internacional do Trabalho!
O REUNI se impõe às universidades através de um mecanismo bastante cretino: o da chantagem financeira. No contexto de pindaíba generalizada em que as instituições públicas de ensino superior se encontram, logo surgem diversas propostas de adequação ao decreto, inspiradas num pseudo-pragmatismo de ocasião. Na UFRJ as coisas não são diferentes, conforme se pode notar pelas recentes movimentações da reitoria.
A verdade é que o REUNI se apropria de diversas bandeiras históricas dos movimentos sociais da educação (ampliação de vagas, cursos noturnos) para seguir aplicando a política de desmonte da educação pública, consagrada sobretudo no projeto de Reforma Universitária do Governo Lula. É preciso resistir a mais esse ataque. Vale dizer que essa resistência já vem acontecendo, conforme demonstram as ocupações promovidas pelos estudantes nas reitorias da UFRJ e UFJF. Devemos nos preparar para travar no segundo semestre mais um duro combate em defesa da universidade pública.
Carolina Bareto é militante do movimento estudantil da UFRJ e do PSOL

Primeira Edição Esquerda

O Petróleo é nosso



“O Petróleo é nosso” e a privatização da Vale do Rio Doce

I - Origens: Do petróleo é nosso

Em 1946, o General Horta Barbosa, com as vivências das lutas que se travavam na América Latina contra o Cartel do Petróleo, organizou, com o apoio de outros militares, a Campanha em Defesa da Nacionalização do Petróleo. O Cartel do Petróleo era composto pela Standard Oil, Shell, Atlantic e Texaco, esmagadoras das empresas estatais retiradoras de Petróleo, arrebatava as principais fontes de ganho, especialmente a distribuição.
A campanha nacionalista começou a se movimentar tendo como centro o monopólio estatal do petróleo. A partir disso, buscou o apoio de entidades dos trabalhadores e dos estudantes, alguns empresários, intelectuais, servidores públicos e militares que reivindicavam a soberania nacional e a independência econômica. No começo, a campanha ficava restrita a reuniões fechadas que aconteciam principalmente no Clube Militar. Eram reuniões de esclarecimento, mas eram mornas, ficando restritas às quatro paredes do auditório onde aconteciam.
Em 1947, no IX Congresso Nacional dos Estudantes, é aprovada a adesão da UNE à campanha. É nesse momento que surge o grito “O Petróleo é nosso”. A campanha, então, ganha as ruas através da juventude universitária e secundarista, vai aos sindicatos, realiza comícios e mobilizações de organizações de bairros. O enfrentamento com a brutal repressão do aparelho policial do governo Dutra, chefiado por Cecil Boré, leva a prisões e até mortes de diversos ativistas.
A campanha “O Petróleo é nosso” passou a ter uma estrutura de militantes voltada para as tarefas de difusão e organização dos eventos. Torres de madeira simbolizando as torres de petróleo foram fincadas nas praças públicas com bandeiras brasileiras e com placas que diziam “O Petróleo é nosso”. A campanha atravessou o governo Dutra sem parar, enfrentando a violência da repressão policial.
Em 1950, Getúlio Vargas é eleito presidente da República. A campanha aumenta sua intensidade e é criado o Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e da Economia Nacional. No Congresso Nacional é apresentado o projeto de lei “reservando ao Brasil o monopólio da pesquisa e lavra das jazidas de petróleo”. O Centro de Estudos emenda ampliando o projeto para “o monopólio nacional da refinação do petróleo brasileiro e estrangeiro bem como o transporte marítimo desse petróleo e derivados, fixando também o monopólio nacional do transporte por gasoduto e oleodutos e a criação da Petróleo Brasileira S/A, Petrobrás”.
O projeto sem essa ampliação era inepto. O país ficaria a mercê do Cartel do Petróleo, e, ao invés de “O Petróleo é nosso”, seria “Esso nosso”.
O embate foi duro diante do vacilo do governo. As tarefas de difusão e organização se multiplicaram nos meios estudantis, dos trabalhadores e populares. Nas ruas, comícios relâmpagos e eventos pressionavam pela aprovação do projeto do Centro de Estudos. O projeto é aprovado. Nesse momento, havia a preparação de uma festa nacional. O projeto, então, vai à sanção presidencial e o Centro de Estudos toma conhecimento de que o governo de Getúlio estava vacilante. O deputado nacionalista Nestor Duarte, em pronunciamento na câmara Federal denuncia a vacilação do governo.
Em seguida, o Centro de Estudos convoca de imediato o Congresso Nacionalista em defesa da Aprovação da Lei. Não posso precisar a data, mas em setembro de 1953 militantes nacionalistas de todo o país se fazem representar neste Congresso, realizado no Palácio Tiradentes. UNE, UBES e diversos sindicatos participam do evento. A deliberação final do Congresso é realizada no Largo da Carioca, e é exigido que o Presidente sancione a lei sem vetos. A proposta foi defendida pela minha esposa Lygia na Tribuna do Congresso. No começo de outubro de 1953, o presidente do Centro, em sessão plenária, anunciou que a Lei 2004/53, que criava a Petrobrás, estava sancionada regada pelo sangue e suor dos militantes.

II – A PRIVATIZAÇÃO DA VALE

Em 1939, o Brasil criou o Código de Minas, que transformou o subsolo em propriedade do Estado, e sua exploração pela iniciativa só poderia ocorrer através de concessão. Já em 1942, O governo Vargas encampou as propriedades da Itabira Iron, inaugurando a Vale do Rio Doce.
As jazidas brasileiras de ferro, em Minas Gerais, foram descobertas por ingleses que criaram a empresa Itabira Iron, pretendendo mantê-las como reserva de minério que seria exportado in natura assim que os preços fossem convenientes. Em 1939, face a 2ª. Guerra com a Alemanha, a situação se modificou, o que permitiu a Getúlio, em troca do apoio aos aliados, fazer a encampação da Itabira Iron. Em seguida, em 1942, a Companhia Vale do Rio Doce foi inaugurada. Essa barganha, contudo, impôs ao governo o acesso exclusivo às exportações do minério de ferro brasileiro, rapidamente ampliadas por meio da ampliação da estrada de ferro e do porto de Vitória. Aproveitando a conjuntura, foi implantada uma indústria mineração e siderurgia sob o controle do Estado Brasileiro, destacando-se a CSN de Volta Redonda. A Companhia Vale do Rio Doce se desenvolveu e atingiu o marco internacional na indústria de minérios, sendo possuidora do maior patrimônio de minérios de ferro do mundo, com a maior mina a céu aberto do mundo, Carajás.
Em 1997, com 55 anos a serviço do povo brasileiro, avaliada em 92 bilhões de reais, ela foi vendida pelo governo pelo governo FHC por 3,3 bilhões de reais. Segundo noticiário da época, a Vale tinha em caixa 700 milhões de reais, que foram entregues a Benjamin Steinbruc.
A campanha contra a privatização da Vale teve movimentações de grupos nacionalistas, algumas manifestações de rua fracionadas por posições contraditórias de sindicatos que se movimentavam na área metalúrgica, vide o sindicato dos engenheiros da CSN. A campanha não contou com o apoio maciço da UNE e de outras entidades, o mesmo ocorrendo com alguns setores dos partidos políticos envolvidos. Apostaram no enfrentamento formal, buscando no judiciário a solução para o assalto ao patrimônio público. Ainda hoje perambulam pelo judiciário ações contra esta privatização.
Na esteira dessa posição, veio o total desmantelamento do Estado com a venda de empresas estatais de referência internacional, como a Embratel, a Embraer e a CSN.
Participei ativamente da campanha “O Petróleo é nosso” . Vi a prisão, os espancamentos e mortes de companheiros da UNE, da UBES, de sindicatos, das organizações de bairro que apostavam no enfrentamento político direto na defesa da independência contra o cartel do petróleo e a repressão. Foi um outro tempo.
Com mais de 70 anos, participei dos eventos na luta contra as privatizações e vendas a preço de banana do patrimônio do povo, e confesso que não senti o povo envolvido na questão.
A Petrobrás está aí, não foi “privatizada” face suas origens, mas está corroída pela manobra do capital. Não tem mais o importante papel de alavancar a nossa independência econômica. Está afastada dos interesses do povo.
Não podemos deixar que empresas importantes sejam utilizadas em benefício de interesses privados. Nesse sentido, devemos continuar a luta que sempre fizemos, e exigir que a exploração destes setores estratégicos que compõem o patrimônio do país, seja revertida em benefício do povo. Esta é a importância de seguirmos questionando as privatizações que já aconteceram e as que vêm sendo implementadas, inclusive de maneira sutil e sem leilões como nas universidades, nos hospitais, etc. Pois, o petróleo é nosso, a Vale é nossa, as universidades são nossas...
É o que vejo hoje, com 83 anos e mais de 60 anos de lutas. São duas campanhas em épocas diferentes.

Manoel Martins é militante do PSOL