Esquerda é uma publicação do Reage Socialista.

A unidade que defendemos

O Reage tem chamado fraternalmente os setores da esquerda brasileira à unidade. Fez isto nos seminários nacionais por ele organizados em 1999 e 2000. Fez o mesmo em 2003, nos debates sobre o novo partido. Voltou a fazer a mesma proposta quando da saída de parte dos seus militantes ainda no PT, no 15 de setembro passado.

AS EXPERIÊNCIAS

A unidade é uma palavra histórica dos socialistas e, várias vezes, efetivou-se de maneira diferenciada. No plano internacional, foi a unidade entre blanquistas, marxistas e prudhonistas que realizou e sustentou por 70 dias a Comuna de Paris, a experiência a que Marx classificou como a fórmula política da transição socialista.
No plano nacional, tivemos a formação do Partido Comunista, que evoluiu para a forma mais orgânica de unidade: estratégia, estrutura organizacional e direção unas.
Semelhante foi a criação do Partido dos Trabalhadores, em 1980, que reuniu setores da esquerda brasileira, muitos vindos das lutas contra a ditadura militar, passando pelas grandes greves do ABC paulista, a campanha da Anistia e pelo fim da ditadura militar.
Formas de unidade organicamente diferentes e inferiores fizeram movimentações políticas importantes, como a campanha das Diretas, já e o Fora Collor.

AS CONDIÇÕES REAIS PRECISAM DA UNIDADE

Portanto, nós podemos dizer que a unidade se dá em vários níveis de organicidade.
Nós fazemos a avaliação de que as condições concretas atuais são de muita pobreza, desigualdade e exploração do trabalho, com baixo nível de organização – seja partidário, seja dos movimentos –, difusão do pensamento individualista e crescimento da repressão.
Certamente estamos longe da acumulação positiva que antecedeu de imediato a revolução soviética, em 1917. Naquele tempo, os revolucionários ganhavam as eleições para as Dumas (parlamentos) de Moscou e Petrogrado e faziam manifestações e passeatas com 500 mil pessoas, segundo o próprio Lênin registra em suas cartas daquele ano.

ORGANIZAR A UNIDADE DE ACORDO COM A NECESSIDADE

A unidade das esquerdas socialistas tem sido chamada porque nós precisamos mudar o rumo da corrente, impormo-nos a ela, reverter o processo, construir a contra-ofensiva. E isto não será feito com as nossas poucas forças fragmentadas.
Cabe ademais compreender que a unidade tem hoje um valor simbólico mobilizador.
Milhares de militantes e ex-militantes querem ver as esquerdas superarem suas divergências práticas e encontrarem unidade de ação e construção teórica.
Propomos (vide revista Novo Partido em debate) que nos reunamos em torno de uma Agenda de Lutas e de uma Pauta de Debates. Primeiro, para identificar, aliás, para descobrir que nossas lutas são comuns. Segundo, para elevar a consistência do conhecimento teórico, porque sem teoria revolucionária não faremos movimento revolucionário.
O grau de organicidade a que chegaremos dependerá da situação concreta, da nossa capacidade de melhor interpretá-la e intervir sobre ela. Poderemos conviver unitariamente nas ruas e nas mesas de debate com organizações diferentes ainda por muito tempo.
Mas certamente, com agenda de lutas e debates comuns, daremos uma nova qualidade à intervenção no movimento real, forjaremos uma consciência transformadora mais sólida e veremos predominar no seio da esquerda as concepções mais conseqüentes.
É a transformação para a transformação de que necessitamos.

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